segunda-feira, 25 de maio de 2009

SOFRIMENTO, ORAÇÃO E DESAPEGO

Por Santa Catarina de Sena
Carta 187

Para João Sabbatini, Tadeu Malovoti e os Monges de Belriguardo

1-Saudação e Objetivo
Em Nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimos filhos em Jesus Cristo, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, vos escrevo no Seu precioso sangue, desejosa de vos ver como soldados sem nenhum temor servil.

2- Valor do Sofrimento na Vida Cristã
De fato, nosso Salvador quer que tenhamos medo dele, não das pessoas deste mundo. Cristo disse: ”Não temais aqueles que podem matar o corpo, mas a Mim, que posso enviar ao inferno a alma e o corpo”(cfr. Mt 10,28). Por isso eu quero que vos afogueis no sangue do Filho de Deus, inflamados no fogo da divina caridade. É onde se perde todo temor servil, restando na pessoa apenas o temor reverencial. E que podem fazer o mundo, o demônio e seus servidores contra quem atingiu o amor sem medida pelo sofrimento? Nada! Eles apenas nos fornecem a ocasião para provarmos nossa virtude. Realmente, a virtude é posta à prova pelo que lhe é contrário. A pessoa deve até alegrar-se e rejubilar-se, deve procurar sofrer sempre com Cristo crucuficado, deve aniquilar-se por Ele, deve humilhar-se. Deve deleitar-se na dor e na Cruz. E ao desejar o sofrimento, encontrará alegria. Mas se procurar a alegria, achará a dor.
A melhor coisa é, portanto, afogar-se no sangue e eliminar nossas perversas vontades mediante um amor livre pelo Criador, sem termos nenhuma compaixão de nós mesmos. Só então aquela alegria estará em vós. E deveis esperar os sofrimentos sem nenhuma angústia. Por nenhuma ordem, que nos for dada, deveremos nos queixar. Pelo contrário, devemos até nos alegrar. De fato, nenhuma ordem humana será capaz de nos afastar de Deus. Tais ordens até serão aptas a nos dar a virtude da paciência, tornando-nos solícitos em abraçar a árvore da Cruz, em procurar a visão invisível que jamais nos será tirada. Se assim decidimos, a caridade amorosa jamais nos será tomada. Que doce coisa sermos perseguidos por causa de Cristo crucuficado! Quero que vos alegreis quando a cruz vos é dada, qualquer que seja o modo! Não escolhamos o modo. Que ele seja escolhido por quem nos faz sofrer. Julgai-vos até indgnos de sofrer perseguição por Cristo crucificado.

3- Perseverai na Oração e no Amor Mútuo
Ficai sabendo, meus bondosos filhos em Jesus Cristo, que foi essa a senda percorrida pelos santos que imitaram Jesus Cristo. Não existe outra que nos conduz a vida! Quero, pois, que com empenho vos esforceis por trilhar essa senda, feliz e reta. Perseverai na oração com boa vontade, sempre que o Espírito vos oferecer ocasião. Não haja desprezo ou fuga em vós, também com perigo de vida. Não deixeis a oração para poupar e agradar o próprio corpo. O que o demônio mais deseja ver em nós, para nos afastar da oração, é que tenhamos cuidados com o corpo e tibieza espiritual. Por motivo algum tais coisas devem afastar-nos da prece. Recordando-nos de que Deus é bondoso e reconhecendo nossos defeitos, afastemos as tentações do diabo e toda autocompaixão. Escondei-vos nas chagas de Cristo crucificado, nada voa amedronte. Por Cristo crucificado vós tudo podeis. Ele estará convosco e vos fortalecerá.

4 –Sede Obedientes e Desapegados. Conclusão.
Sede obedientes até a morte no que vos for imposto, por mais grave que seja. Não desprezeis o prêmio por causa da dificuldade ou de alguma tentação do diabo querendo enganar-vos, sob pretexto de virtude, sugerindo-vos: ”Isto sera a alegria de minha vida e faria aumentar a virtude em mim”. Não acrediteis no diabo, mas sim em Deus, o qual vos dará de outro modo o que esperais dessa consolação. Vós sabeis que nenhuma folha cai de uma árvore sem a providência divina. Desse modo, tudo o que o diabo ou as pessoas fazem para nós, por providência divina colabora para a nossa salvação e progresso na perfeição. Portanto, acolhei tudo com respeito e despojai-vos dos bens materiais não necessários. Revesti-vos de Cristo crucificado, inebriai-vos no seu sangue. Nele encontrareis a alegria e a paz completa.
Nada mais acrescento. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Jesus doce, Jesus amor.

Fonte: Catarina de Sena, Santa, 1347 -1380. Cartas Completas – Tradução: Frei João Alves Basílio O.P. São Paulo: Paulus 2005. ( Espiritualidade) .pag. 607 a 609.

Você sabe por que a escolha do nome Bento XVI?

VATICANO, 27 Abr. 05 / 01:12 pm (ACI).- Hoje o Papa Bento XVI retomou a tradicional audiência geral das quartas-feiras e destacou com firmeza a necessidade de colocar a Cristo como centro de toda a nossa existência.
Durante a catequese dirigida aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro o Santo Padre compartilhou seus “sentimentos contrastantes nestes dias do início de meu ministério petrino: estupor e gratidão no confronto de Deus que surpreendeu sobre tudo a mim mesmo, me chamando a suceder ao apóstolo Pedro; ansiedade interior diante da grandeza da tarefa e das responsabilidades que me foram confiadas”. Continuou dizendo que “me dá serenidade e alegria a certeza da ajuda de Deus, de sua Mãe Santíssima, a Virgem Maria, e dos Santos Protetores; também me é grande apoio a proximidade espiritual do Povo de Deus inteiro ao qual continuo pedindo me acompanhe com insistentes orações”.
Seguidamente o Santo Padre explicou aos peregrinos a razão do nome que escolheu ao ser nomeado Bispo de Roma e Pastor da Igreja Universal. Disse: “quis me chamar Bento XVI para me relacionar idealmente ao venerado Pontífice Bento XV, que guiou à Igreja em um período atormentado pelo primeiro conflito mundial. Foi valente e autêntico profeta de paz e agiu com extrema valentia desde o início para evitar o drama da guerra e depois ao limitar as nefastas conseqüências”. Fazendo explícita referência ao tema da reconciliação manifestou o desejo de “colocar meu ministério ao serviço da reconciliação e da harmonia entre os homens e os povos, profundamente convencido que o grande bem da paz é sobre tudo dom de Deus, dom frágil e precioso que deve ser invocado, protegido e construído dia após dia com a contribuição de todos”.
Deste modo fez referência ao Pai do monacato ocidental dizendo que “o nome de Bento evoca, além disso, a extraordinária figura do grande ‘Patriarca do monacato ocidental’, São Bento da Núrsia. A progressiva expansão da Ordem Beneditina fundada por ele, exerceu um influxo enorme na difusão do cristianismo em todo o Continente. São Bento é por isso muito venerado na Alemanha e, em particular, na Baviera, minha terra de origem. Constitui um fundamental ponto de referência para a unidade da Europa e um forte apelo às irrenunciáveis raízes cristãs de sua cultura e de sua civilização”.
O Santo Padre ressaltou firmemente que “ao início de meu serviço como Sucessor do Pedro peço a São Bento nos ajude a manter firme a centralidade de Cristo na nossa existência. Ele esteja sempre no primeiro lugar nos nossos pensamentos e em cada uma das nossas atividades!”
Finalmente citou ao defunto Pontífice João Paulo II destacando que “nossas comunidades cristãs devem ser autênticas escolas de oração, onde o encontro com Cristo não se expresse apenas como imploração de auxílio, mas também como um dar graças, glória, adoração, contemplação, escuta, ardor dos afetos, até um verdadeiro desejo de coração”. Terminada a catequese a Papa Bento XVI repartiu a bênção apostólica.